Lund University
Minimalismo

Suécia e o lagom – por uma vida minimalista

Depois de ter morado em 3 países, 5 cidades, 11 casas diferentes e ter viajado por mais uns tantos outros lugares, comecei a rever minhas antigas ideias do que é importante ou não para “viver bem”. Quando se muda ou viaja com frequência, coisas que antes eram essenciais tornam-se supérfluas, já que tendemos a dar mais atenção às experiências vividas do que aos bens materiais que possuímos.

Lembro que quando voltei para o Brasil após ter passado quase um ano na China, trouxe de volta apenas as duas malas que tinha levado – e que foram suficientes para viver durante aquele tempo todo.

Naquele ano, tinha comprado vôos promocionais para fazer um mochilão pelo Sudeste Asiático e o limite de bagagem permitido para esse tipo de passagem era de 15kg. Esses 15kg tinham que durar por 6 semanas, incluindo laptop, câmera e tablet (“mochileira de primeira viagem” faz essas besteiras), além de espaço para as lembrancinhas que eu queria levar de cada lugar. Ou seja, se minha mochila pesasse mais do que 15kg, além de ter que pagar taxas adicionais em cada vôo, eu também ficaria com uma super dor nas costas ao carregar tudo isso pra cima e pra baixo.

Aqui na Suécia, como eu sempre faço minhas compras no supermercado de bike ou à pé, levo apenas o que consigo carregar. Quando morava no dormitório estudantil, eu tinha apenas uma prateleira na geladeira, uma gaveta no freezer e uma porta no armário da cozinha para guardar minha comida, ou seja, se comprasse uma quantidade maior do que coubesse nesses espaços, não teria onde guardar. Isso me levou a fazer compras apenas com a quantidade suficiente de comida para passar a semana. Conforme esses espaços esvaziavam, eu comprava mais. Assim nada estragava, eu sempre tinha alimentos essenciais e frescos.

Em sueco, existe um termo para essa moderação: lagom, que significa “nem muito, nem pouco; apenas o suficiente”. Lagom é a base da cultura sueca e pode ser observado em tudo: em comportamentos discretos que evitam sobressair, tanto positiva quanto negativamente; na arquitetura clean e funcional; na igualdade social e assim por diante.

Quando comecei a prestar atenção aos meus hábitos, percebi que ter eliminado os excessos acabou me dando uma sensação de extrema liberdade. Além disso, por evitar tudo que é supérfluo, acabei voltando minha atenção apenas para as coisas que realmente me deixam feliz e equilibrada, como andar de bike (ou invés de usar transporte público ou carro) ou cozinhar minhas próprias refeições (é mais saudável e permite que tenha controle sobre minha dieta), por exemplo.

Percebi que, mesmo sem querer, estava levando uma vida mais minimalista e mais orientada ao significado. Parafraseando o famoso ditado popular, “menos é mais”: desprender-se das coisas materiais confere mais liberdade, realização pessoal e felicidade, pelo menos na minha experiência. ;)

PS: esse texto é apenas uma reflexão com meu ponto de vista, mas reflete bastante os valores de desapego que o Trocaria tanto incentiva.

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3 comentários

  • Reply Maitê Hotoshi 23 de julho de 2015 at 22:40

    Que delícia de texto! Bom saber da sua vida minimalista por aí.
    Eu tenho me desapegado cada vez mais das minhas roupas e já não perco mais tempo para me vestir, só tenho o que realmente uso. Mas ainda falta muito, eu chego lá!

    • Reply Evelise 27 de julho de 2015 at 07:03

      Quero ourvir suas histórias por aí também, Mai!
      Tenho certeza que vc tem muita experiência boa para compartilhar! :)

  • Reply Estilo minimalista: como usar - Trocaria 24 de julho de 2015 at 09:38

    […] Minimalismo é um conceito vem se popularizando nos últimos tempos, seja porque as pessoas se cansaram do consumismo “vazio” e sem propósito ou porque, após terem conquistado o básico para viver confortavelmente, puderam prestar mais atenção nas coisas que o dinheiro não compra, como inclusive já falamos neste post. […]

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