sweatshop - cover
Consumo consciente, Fast fashion

Reality show envia blogueiras para trabalhar em fábrica têxtil no Camboja

A realidade por trás do consumo de fast fashion

As gigantes de fast fashion como Zara, H&M e Forever21, há muito conhecidas por popularizar o acesso à moda barata, também revelam o outro lado da moeda: condições precárias de trabalho nas confecções subcontratadas, impacto ao meio ambiente e incentivo à uma cultura de descarte.

Não fosse apenas isto, ainda contribuem para a glamourização da cultura do descarte os fashionistas, que muitas vezes montam um guarda-roupa inteiro em um mês, repleto de presentes de grandes marcas ansiosas por endosso destes formadores de opinião. Mas cá entre nós, até onde essa formação de opinião em torno de um consumo desenfreado vai parar? De quem é a responsabilidade por isto: das marcas, dos formadores de opinião, ou dos consumidores finais, que finalmente são os usuários no final da cadeia de compras?

Como uma forma de provocar e alertar para este modelo de consumo, Sweatshop – Deadly Fashion, um experimento social produzido pelo jornal norueguês Aftenposten, resolveu colocar blogueiros de moda à prova, levando-os a conhecer a realidade de uma fábrica têxtil no Camboja. No reality show online, os blogueiros Anniken Jørgensen, Frida Ottesen e Ludvig Hambro passaram um mês em Phnom Penh em 2014 para experimentar na pele as condições de trabalho dos trabalhadores têxteis cambojanos.

Sweatshop começa com uma apresentação dos fashionistas contando sobre a quantidade de roupas que compram (ou ganham) e a dificuldade para guardar tudo o que tem. Anniken, por exemplo, que costumava gastar cerca de U$ 600 mensais em roupas, passou a ter apenas o equivalente a U$ 6 para investir em comida durante o reality show.

No episódio 2, Jørgensen, Ottesen e Hambro visitam a casa de Sokty, uma operária que vive em um apertado apartamento em Phnom Penh.

sweatshop - visitando casa de trabalhadora textil

“Eu sinto muito por ela, mas acho que é assim que ela viveu toda a sua vida”, diz Ottesen no vídeo. “Para ela, esta é a sua casa; ela não acha que é ruim”.

Mas, conforme a série prossegue, a realidade começa a aparecer. O trio vai com Sokty à uma loja, onde uma blusa de US$35 vale mais do que toda a sua renda por um mês. “As roupas custam mais do que pago pela minha habitação e gasto em comida em um mês”, diz Sokty, que ganhar um salário de US$3 ao dia.

SweatShop2

Depois da noite na casa de Sokty, os jovens partem para o trabalho pesado em jornadas de quase 12 horas na fábrica têxtil. Eles se deparam com as altas temperaturas enfrentadas pelos trabalhadores, o ritmo incessante e ouvem histórias de pessoas que morreram por simplesmente não conseguirem se sustentar.

sweatshop - confeccao no Camboja

Situações como essas fizeram com que os blogueiros rapidamente mudassem suas visões de mundo, e frases como “Acho que eles estão acostumados” e “Há trabalhos piores” foram substituídas por um choro compulsivo.

sweatshop - realidade do fast-fashion

A H&M, uma das empresas citadas na série, apenas deixa seu comunicado no final do seriado afirmando que possui um plano concreto lançado em 2013 destinado a conseguir um salário digno aos trabalhadores têxteis por meio de seus provedores. Entretanto, enfatiza que o programa não visitou nenhum de seus fornecedores durante as gravações, além de não mencionar sobre seus programas de sustentabilidade, o que contribui para uma imagem equivocada em torno das condições e salários de seus provedores.

Nós do Trocaria acreditamos que o consumo de fast fashion é um ciclo vicioso no qual nós também estamos envolvidos no papel de consumidores. Entretanto, é possível agir de forma consciente a fim de minimizar os impactos causados pela indústria têxtil: procurar fornecedores certificados (ambiental e socialmente), prolongar o ciclo de uso de suas roupas (trocando com amigos, reparando peças com defeito, comprando roupas de segunda-mão etc.). Sabemos que o problema é bem maior, mas é possível fazermos a diferença – e a decisão está em nossas mãos! :)

Fotos: Divulgação / Reprodução Youtube

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5 comentários

  • Reply Fast fashion: a moda descartável – Trocaria 25 de abril de 2015 at 17:35

    […] Já falamos aqui do reality show que colocou blogueiras de moda para conhecer a realidade das fábricas têxteis no Camboja. […]

  • Reply Por que H&M custa mais do que você imagina? – Trocaria 25 de abril de 2015 at 21:43

    […] podemos esquecer como a indústria da moda afeta trabalhadores no mundo todo também: trabalhadores de confecções têxteis na China, Bangladesh e Filipinas são submetidos à condições precárias de […]

  • Reply Adidas usará lixo plástico marítimo em produtos a partir de 2016 - Trocaria 25 de abril de 2015 at 22:28

    […] ONGs como o Greenpeace as pressionam para que cortem seus impactos ambientais e melhorem as condições em suas fábricas. A H&M, por exemplo, prometeu triplicar a quantidade de produtos fabricados a partir de fibras […]

  • Reply Fast fashion discutida por John Oliver - Trocaria 28 de abril de 2015 at 11:43

    […] as margens para baixo, atingindo toda a cadeia de suprimentos e impactando principalmente os trabalhadores de fábricas têxteis com condições subumanas de […]

  • Reply Vending machine mostra o que está por trás das roupas baratas - Trocaria 3 de maio de 2015 at 14:45

    […] de 13 centavos por hora para costurarem camisetas em um ambiente hostil, do qual já falamos aqui e […]

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