Desfile Amir Slama SPFW 2017
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Flashes de fotógrafos revelam mensagens empoderadoras no SPFW 2017

Em ação destacando a igualdade de gênero, desfile de Amir Slama trouxe frases de empoderamento como ‘minha saia não é um convite’ e ‘me visto como eu quiser’ escritas nos corpos de modelos

Na última quinta (16), o estilista Amir Slama mandou uma mensagem poderosa contra o assédio sofrido diariamente por mulheres durante o desfile da sua coleção de Inverno 2017 na São Paulo Fashion Week.

Frases de conscientização e empoderamento feminino como “Decote não é convite”, “Minha saia não é permissão”, “Me visto como eu quiser” e “Perna de fora não é provocação” foram aplicadas em diversas partes dos corpos das modelos com uma tinta especial invisível, mas que só podiam ser visualizadas em fotografias tiradas com flash, mostrando que a culpabilização da vítima ainda é invisível para muitas pessoas. A ação foi ativada no evento pela hashtag #decotenaoeconvite.

Desfile Amir Slama SPFW 2017

A ação é parte do projeto Sexismo Invisível, desenvolvido pelo Estadão em parceria com a agência de publicidade FCB Brasil, com objetivo de promover o debate sobre o assédio nem sempre explícito (mas muito comum) enfrentado pelas mulheres.

A intenção é convidar homens e mulheres para uma reflexão sobre o assédio sexual: “Encontramos uma nova forma de chamar a atenção para uma questão que deveria ser óbvia: a liberdade das mulheres de se vestirem como quiserem, sem que isso seja interpretado de forma diferente pelos homens”, explica Marcelo Moraes, Diretor de Marketing do Grupo Estado. “Quem determina o que está na moda é o consumidor. E a moda ajuda a mulher a se expressar e a se colocar”, diz Amir Slama. “Muitos homens ainda encaram como uma provocação o fato de as mulheres quererem usar roupas curtas ou decotadas. Isso é um absurdo”, ressalta o estilista.

Desfile Amir Slama SPFW 2017

Uma das frases do projeto apareceu no corpo de Marcela Thomé, modelo transgênero que estreou na semana de desfiles nesta temporada. “A SPFW sempre apoiou causas relevantes para a sociedade. E a valorização, o respeito e o empoderamento da mulher são relevantes para o evento”, afirma Paulo Borges, idealizador do SPFW.

A ideia do projeto surgiu com o debate sobre o papel da moda e o limite entre o elogio e o assédio. “A intenção do nosso trabalho para o Estado é colocar uma nova luz sobre essas questões graves, mas cotidianas, surpreendendo as pessoas através do uso de diferentes tecnologias”, diz Fabio Simões, diretor executivo de criação da FCB. Segundo Simões, a SPFW, palco da moda brasileira, era o lugar ideal para refletir sobre a questão. Na moda, o tema vem sendo debatido e tratado com respeito por ativistas. “Temos o poder de incitar conversas que podem transformar opiniões que parecem estar consolidadas”, afirma a diretora de Redação da Elle Brasil, Susana Barbosa.

“Tem se falado muito em feminismo, é uma discussão muito pertinente. O assédio é o mais grave e é muito velado. Por isso, campanhas assim são muito importantes”, diz Marina Caruso, diretora de Redação da Marie Claire.

“Não existe evento mais relevante que a SPFW para levantarmos a questão da igualdade de gênero e o fato de que a roupa não é convite para violência”, diz Joanna Monteiro, Chief Creative Officer da FCB. “A tinta não é visível a olho nu, assim como o preconceito e a violência contra mulher, que nem sempre são evidentes”, completa.

Com informações do Estadão, Estilo Abril e AdNews.

Leia mais: Nunca foi um vestido – campanha empodera mulheres na carreira tech
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