Consumo consciente já era visto em meio à Segunda Guerra Mundial
Consumo consciente

Consumo consciente em meio à Segunda Guerra Mundial

‘Make do and Mend’ (algo como ‘Arregace as mangas e conserte’) foi uma campanha promovida pelo Ministério Britânico da Informação durante a Segunda Guerra Mundial, com a intenção de incentivar o consumo consciente entre as famílias britânicas.

Com a escassez de suprimentos e elevação dos preços dos itens disponíveis para venda durante a Segunda Guerra Mundial, a solução encontrada pelo Reino Unido foi a criação de bilhetes de racionamento, inclusive para roupas. O racionamento de roupas foi introduzido em 1941, para possibilitar a distribuição igual de roupas entre os cidadãos. Todos recebiam um ‘livro de racionamento’ com 66 cupons de roupas que deveriam durar pelo ano todo. Cada item de vestuário que fazia parte do racionamento valia um certo número de cupons, por exemplo: um vestido valia onze cupons. Assim, era necessário não só pagar pelas peças, como também trocar o número certo de cupons a cada compra.

Consumo consciente já era visto em meio à Segunda Guerra Mundial

Planfleto lembrando de contar os cupons antes de ir às compras

Com isso, a campanha ‘Make do and Mend’ foi introduzida pelo governo britânico para encorajar os cidadãos a fazerem o máximo uso possível das roupas que eles já possuíam. Posters e panfletos foram distribuídos para dar dicas de como reaproveitar as roupas, incluíndo aulas de costura que ensinavam a transformar roupas antigas em novas peças ao invés de jogá-las fora (diríamos que eram os primórdios do upcycling).

Consumo consciente já era visto em meio à Segunda Guerra Mundial

Plafleto incentivava as práticas do reuso e reparo, uma ótima maneira de estimular a critiavidade e consumo consciente em tempos de guerra

Com ideias de design modesto e conselhos de reuso de roupas, os panfletos eram um guia indispensável para as famílias. Os leitores eram aconselhados a criar ‘remendos decorativos’ para cobrir buracos em vestimentas; abrir blusas de tricot antigas para re-tricotar acessórios e enfeites; transformar roupas masculinas em femininas; remendar roupas comidas por traças; fazer casacos a partir de cobertores; assim como transformar fronhas em roupas de bebê. Uma dica para fazer os sapatos durarem mais era pintar as solas com verniz.

Se uma cadeira quebrasse, você tinha que consertar. Se sua meia tivesse um furo, você deveria pegar uma agulha e remendá-la. Esse era o lema do racionamento de roupas que durou até 1949.

Consumo consciente já era visto em meio à Segunda Guerra Mundial - Campanha "Make do and Mend"

“Se você não precisa, NÃO COMPRE”, era o que diziam as instruções no livro de cupons.

E esse vídeo criado pelo Ministério de Suprimentos deixou a campanha ainda mais engraçada:

Não restam dúvidas de que a campanha ‘Make do and Mend’ contribuiu para uma quebra de paradigmas de consumo durante a Segunda Guerra Mundial. Mas com o final da guerra e a reestabilização econômica do Reino Unido, os padrões de consumo voltaram a crescer e, atualmente, atingem um patamar que exige mudanças – é isso o que a gente mostrou no artigo sobre lowsumerism.

Hoje, felizmente, não temos que passar pelo racionamento de roupas. Entretanto, reduzir a quantidade consumida ou jogada fora não faz mal a ninguém. Nós podemos aprender muito com a campanha “Make do and Mend” no sentido de fazer nossas roupas durarem mais, já que aprender a pregar um botão ou costurar um furinho é mais gratificante do que comprar uma peça nova. ;)

Quer ler mais sobre o consumo consciente durante a Segunda Guerra Mundial? Então visite estas fontes:

National Archives – UK

Imperial War Museum

Make Do and Mend

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1 comentário

  • Reply 5 maneiras de se tornar um consumidor consciente - Trocaria 1 de março de 2016 at 05:16

    […] economizar, mas também vai ser mais gratificante do que comprar uma peça nova (inspire-se na campanha Make do and Mend, do governo britânico, que incentivava o consumo consciente durante a Segunda Guerra […]

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