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Consumo consciente, Moda sustentável

A nova moda na Suécia é a sustentabilidade

Redes de lojas de segunda-mão do país transformam consumo consciente em tendência

Por Isi de Paula

Ao pensar em moda sueca, muitos vão pensar em gigantes da fast fashion como H&M e KappAhl. O que talvez poucos saibam é que ganha cada vez mais força no país uma tendência que pode ser a chave para mudar a realidade atual da indústria da moda: o comércio de segunda-mão. Desde grandes redes de lojas até os pequenos brechós e mercados de pulgas entram cada vez mais na rota de compras dos suecos, fazendo a diferença não só no bolso, mas também no estilo do consumidor. E o mais importante: com esse hábito, uma grande quantidade de roupas ganha nova vida em vez de ser descartada no meio-ambiente.

MyrornaNão é que o comércio de segunda-mão seja novidade no país. Já nos anos 70, quando o mundo começou a despertar para a consciência ambiental, os suecos encontraram uma nova forma de expressar seu estilo clássico nas peças herdadas de outras gerações, e desde então o consumo de itens usados se popularizou. Mas parece que agora esse setor vem entrando até mesmo na disputa pela clientela do mercado de fast fashion, que vê sua primeira queda desde que explodiu na última década. Quem deu o pontapé inicial no uso de estratégias de marketing para conquistar o consumidor de moda foi a Myrorna, uma rede de lojas que atua na sociedade de três formas simultâneas: incentiva o consumo consciente com a coleta e venda de itens usados, enquanto o lucro gerado com as vendas é destinado a trabalhos de caridade do Exército da Salvação do país. Além disso, as vagas de emprego da loja são destinadas a pessoas em situação vulnerável e com necessidade de recomeçar no mercado de trabalho. Leia mais

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Consumo consciente, Inovação & Tecnologia, Moda sustentável

Calculadora mostra o impacto da moda no meio ambiente

E se as marcas de moda calculassem o lucro junto com uma análise do impacto ambiental? Agora elas podem e de graça, com ajuda dessa calculadora ambiental

Consumo consciente e moda sustentável tem sido foco da discussão desde o início do Trocaria. Para muita gente, esses conceitos já fazem parte do dia-a-dia, mas ainda há um longo caminho a percorrer quando se trata de conscientização sobre o assunto. Mas é preciso ir além disso: nós como compradores, devemos estar cientes do que consumimos para podermos cobrar mudanças por parte dos grandes varejistas de moda, a fim de que transformem a cadeia produtiva de moda para melhor, melhorando as condições dos trabalhadores têxteis, ao mesmo tempo em que reduzem o impacto no meio ambiente.

No entanto, essa triste realidade está pouco a pouco mudando: das fast fashion aos grandes estilistas, algumas marcas estão se propondo a fazer a diferença. Uma a levantar a bandeira do consumo consciente a começar pelas universidades é o conglomerado Kering, grupo que reúne em seu portfólio marcas como Gucci, Bottega Veneta, Saint Laurent, Alexander McQueen, Balenciaga, Stella McCartney, Puma, entre outras.

A Kering vem demonstrando o seu compromisso há algum tempo e, no meio do ano passado, lançou a metodologia EP&L – Environmental Profit and Loss, que atribui um valor monetário ao impacto ambiental das operações e da cadeia de suprimentos da empresa, com o objetivo de orientar profissionais da indústria da moda.

A grande novidade do grupo francês é o lançamento de uma calculadora ambiental My EP&L em parceria com a Parsons School of Design, de Nova York. O app irá auxiliar estudantes no “projeto piloto “Kering x Parsons: EP&L”, oferecendo dados para que estilistas analisem os prós e os contras ao planejar a coleção. A calculadora é a espinha dorsal desse programa da Parsons, cujo currículo escolar agora passou a contar com módulos designados a incorporar lições práticas em sustentabilidade, como “Tese de Sistemas & Sociedade” e “Tese em Materialidade”, onde estudantes terão a oportunidade de estudar o processo de EP&L, comparar materiais e entender como as escolhas de fornecimento e fabricação podem influenciar a emissão de carbono de um produto. Leia mais

Consumo consciente, Economia compartilhada

Economia colaborativa: compartilhar ao invés de centralizar

A economia colaborativa vem ganhando cada vez mais espaço no nosso dia-a-dia, mesmo sem notarmos. Precisa de carona? Vá de BlaBlaCar. Quer economizar ao dividir táxi? Uber. Vai viajar e quer alugar uma casa pra galera? O Airbnb possibilita hospedagem na casa de desconhecidos por um preço camarada. Precisando de uma furadeira? O Tem Açúcar te ajuda a emprestar de alguém na vizinhança.

Vivemos atualmente numa transição da cultura de posse para uma cultura de acesso, na qual enxergamos nas experiências vividas a fonte da verdadeira felicidade. Com isso, passamos a repensar a – distorcida – percepção de objetos como símbolo de status social. Afinal, como questiona Rachel Botsman, autora bestseller sobre consumo colaborativo, você precisa de uma furadeira ou de um simples furo?

O que é a economia colaborativa?

Economia colaborativa – também conhecida por economia compartilhada ou consumo colaborativo, é um ecossistema sócio-econômico construído em torno do compartilhamento de recursos humanos, físicos e intelectuais. Também inclui a criação, produção, distribuição, comércio e consumo compartilhado de produtos e serviços por diferentes indivíduos e organizações.

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Ecossistema de economia colaborativa © Tony Magro / HireRight

Na economia compartilhada, os participantes possuem acesso mútuo a produtos e serviços ao invés de priorizarem a propriedade individual. O fenômeno se origina de um crescente desejo dos consumidores de estarem no controle do que consomem, ao invés de serem vítimas passivas do hiperconsumismo.

História da economia colaborativa

O termo “consumo colaborativo” foi primeiramente citado por Marcus Felson e Joe L. Spaeth no paper “Community Structure and Collaborative Consumption: A routine activity approach”, publicado em 1978 na American Behavioral Scientist, mas o fenômeno certamente se originou muito antes disso.

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A economia colaborativa tem como base a comunidade © Huffington Post

No início dos anos 2000, no entanto, foi quando o conceito de economia colaborativa começou a se popularizar à medida que novos modelos de negócios emergiram devido à recessão, possibilitando a ascensão de tecnologias sociais e aumentando a preocupação acerca do crescimento da população global e escassez de recursos.

Em 2011, o consumo colaborativo foi nomeado pela TIME Magazine uma das 10 ideias que vão mudar o mundo.

Sai centralização, entra compartilhamento

O grande diferencial da economia colaborativa é que este modelo tem como base o compartilhamento entre indivíduos, e não a centralização de acesso. É o chamado modelo de consumo peer-to-peer (pessoa-para-pessoa), onde os participantes são os grandes responsáveis por fazer esse sistema funcionar.

Pilares da economia colaborativa

De acordo com Rachel Botsman, autora bestseller sobre o tema, a principal moeda da economia colaborativa é a confiança.

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Confiança é o que sustenta a economia colaborativa

Para almas sociáveis, a economia colaborativa tem um charme à parte devido à conexão criada entre as pessoas. Ela diminui a distância entre organizações e indivíduos, e fomenta relações mais humanas entre quem faz parte desse ecossistema.

A economia compartilhada é o exemplo claro do valor da internet para consumidores. Este modelo emergente está crescendo e sendo disruptivo o suficiente para que órgãos reguladores e empresas se unam em prol do bem comum – e compartilhado. Se compartilhar é cuidar, o futuro está no cuidado mútuo uns com os outros ;)

Leia mais: Economia colaborativa na moda: essa onda pega?
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Consumo consciente, Economia compartilhada

6 maneiras simples para se tornar um consumidor consciente

Ser um consumidor consciente às vezes parece tarefa impossível, mas não é! Conheça 6 dicas simples para se tornar um consumidor mais consciente!

Seu guarda-roupas está cheio de peças e você ainda acha que não tem nada para vestir? Você não está sozinho! Uma pesquisa do Waste & Resources Action Programme mostrou que famílias do Reino Unido possuem em média £4,000 em roupas, sendo que 30% delas não são usadas regularmente. Um terço das roupas que compramos anualmente acaba em aterros sanitários, o que não é bom sinal do ponto de vista econômico (afinal, é dinheiro jogado fora), muito menos sustentável.

É hora de mudarmos nossos hábitos de consumo, deixando as compras por impulso de lado e fazendo escolhas conscientes – é isso o que prega a nova era de consumo baseada no lowsumerism.

Mas por onde começar? Listamos aqui 6 maneiras simples para se tornar um consumidor consciente e lidar melhor com nossas roupas, com seu orçamento e, ao mesmo tempo, de uma maneira que impacta menos o meio ambiente.

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O que você está fazendo para ser um consumidor consciente?

1. Conserte e reaproveite, não substitua

Notou um botão faltando ou um furinho pequeno numa roupa velha? Reforme! Não só vai te permitir economizar, mas também vai ser mais gratificante do que comprar uma peça nova.

Leia mais: inspire-se na campanha Make do and Mend, do governo britânico, que incentivava o consumo consciente durante a Segunda Guerra Mundial

2. Evite fast fashion

A fast fashion – moda para ser consumida e descartada rapidamente – não é apenas uma vilã em termos ambientais, mas também sociais. Prefira qualidade ao invés de quantidade ao escolher roupas que sejam feitas para durar.

3. Use até o fim

A maquiagem está na metade e você já cansou dela? O hidratante está cheinho, mas você que experimentar o último lançamento da marca XYZ? Nós te entendemos; também ficamos de saco cheio de usar nossas coisas. No entanto, tente usar até o final antes de comprar outro produto novo; assim você evita acúmulo e desperdício.

Além disso, você também pode comprar roupas de brechós ou itens vintage para estender a vida útil de cada peça de roupa.

4. Invista no consumo colaborativo

Ao invés de jogar fora aquilo que não usa mais, troque, alugue, empreste ou doe. Além de economizar grana, você evitará que esses itens virem lixo.

Outra sugestão: por não organizar uma festa de trocas entre suas amigas para dar vida nova aos objetos encostados? Sabe aquele vestido você nunca usa e que sua amiga sempre pede emprestado? Troque com ela!

5. Exija menos, não mais

Pesquise sobre as suas marcas preferidas e descubra o que elas estão fazendo para agir de forma mais ética e sustentável em suas coleções. Deixe claro que que você quer roupas melhores, não mais roupas.

6. Apoie marcas locais e designers independentes

Quando você compra de produtores locais e designers independentes, você não apenas contribui para um comércio mais justo, como também incentiva modelos mais inovadores, éticos e ‘limpos’ de produção.

Artigo originalmente publicado na Ecouterre, mas adaptado pelo Trocaria.

Quer saber mais sobre como se tornar um consumidor consciente? Leia o post do Oficina de Estilo sobre 5 atitudes sustentáveis (em moda) e encontre mais artigos no trocaria.
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Consumo consciente, Fast fashion

Documentário “The True Cost” revela o lado oculto da indústria da moda

O aclamado documentário “The True Cost“, idealizado pelo cineasta Andrew Morgan e que teve a realização possível graças a uma campanha no Kickstarter, estava na minha lista de must-sees  há um tempinho, mas finalmente cheguei lá.

Não se engane ao pensar que o documentário é apenas sobre moda: ele indaga sobre nossos hábitos de consumo, condições de trabalho na cadeia da moda e tem o objetivo de conscientizar para o problema. O tema central do documentário, o consumo exacerbado, os impactos ambientais da indústria têxtil e o resultado dessa produção excessiva na vida das pessoas e do planeta, dá um “tapa na cara” do espectador e nos faz repensar o jeito que consumimos atualmente.

documentario true cost sweatshop

O longa não aborda um tema particularmente novo, mas cria uma perspectiva completamente diferente sobre a indústria da moda. Qual é o verdadeiro custo por trás de camisetas sendo vendidas a 5 doláres? Qual é o lado oculto da fast fashion, a moda descartável? Como a indústria têxtil consegue manter um crescimento de 500% nos últimos 20 anos com produtos cada vez mais baratos? Comprar peças por 15 dólares é realmente democrático, sendo que nem quem produz as peças tem condições de comprá-las?

Morgan nunca tinha dado muita atenção a essas questões até 2013, quando se deparou com uma capa do The New York Times sobre o desastre do Rana Plaza, complexo têxtil em Dhaka, Bangladesh, cujo colapso acabou com a vida de 1138 trabalhadores e se tornou um símbolo das desigualdades decorrentes da produção de roupas baratas.

Diante de tantos questionamentos, o Morgan resolveu entender o que estava por trás da indústria da moda barata. Conversou com diferentes stakeholders da indústria global da moda, desde trabalhadores que ganham USD 2 por dia, até proprietários de fábricas têxteis (os famosos sweatshops), produtores de algodão, ativistas de direitos humanos e economistas que estudam o sistema. Os únicos que não deram seu parecer no documentário foram os grandes varejistas, que se recusaram a ceder entrevistas.

The True Cost é o documentário mais esclarecedor sobre fast fashion até o momento. Ele não só expõe o lado crítico da indústria da moda, como também mostra iniciativas que estão tentando revolucioná-la, como a estilista Stella McCartney, a marca Patagonia, a Fair Trade International, e de ativistas como Livia Firth e Orsola de Castro, de quem já falamos neste post.

A mensagem mais importante é de que a mudança no sistema não está nas mãos apenas da indústria da moda. Mas cabe a nós, consumidores, mostrar nosso descontentamento e exigir mudanças por parte dos varejistas. ‘Bora fazer nossa parte?

Leia mais: Livros de moda e sustentabilidade para ler em 2017