amigo secreto sustentável
Atitude

Como fazer um amigo-secreto consciente e sustentável

O final do ano chegou e, como não poderia faltar, os famosos amigo-secreto ou amigo-oculto ganham presença, mais uma vez, em todos os círculos sociais: seja nas famílias, no ambiente de trabalho ou entre amigos, a brincadeira de troca de presentes é um ritual aguardado nesta época.

Com tantas comemorações pela frente, por que não sair da rotina e inovar na brincadeira este ano, fazendo um amigo-secreto consciente, sustentável e com significado?

presente-de-natal

Amigo-secreto sustentável (com trocas!)

O amigo secreto-sustentável é, sem dúvidas, o mais divertido e com maior significado de todos. Ele segue o mesmo princípio das clothing swap parties, como os bazares de troca organizados pelo Trocaria, mas é feito com presentes de Natal.

Funciona assim: você escolhe algo que não usa mais e acha que é a cara da pessoa sorteada. Ao invés de comprar um presente novo, reutiliza algo que já tem e está parado no guarda-roupas. Sabe aquele vestido que sua amiga sempre pedia emprestado? Então por que não presenteá-la com ele? O presente vai carregar consigo não só uma vida útil maior, mas vai fazer o novo dono sempre lembrar de quem presenteou.

Curtiu a ideia? Compartilhe sua experiência com a gente e boas festas! ;)

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Consumo consciente, Moda sustentável

A nova moda na Suécia é a sustentabilidade

Redes de lojas de segunda-mão do país transformam consumo consciente em tendência

Por Isi de Paula

Ao pensar em moda sueca, muitos vão pensar em gigantes da fast fashion como H&M e KappAhl. O que talvez poucos saibam é que ganha cada vez mais força no país uma tendência que pode ser a chave para mudar a realidade atual da indústria da moda: o comércio de segunda-mão. Desde grandes redes de lojas até os pequenos brechós e mercados de pulgas entram cada vez mais na rota de compras dos suecos, fazendo a diferença não só no bolso, mas também no estilo do consumidor. E o mais importante: com esse hábito, uma grande quantidade de roupas ganha nova vida em vez de ser descartada no meio-ambiente.

MyrornaNão é que o comércio de segunda-mão seja novidade no país. Já nos anos 70, quando o mundo começou a despertar para a consciência ambiental, os suecos encontraram uma nova forma de expressar seu estilo clássico nas peças herdadas de outras gerações, e desde então o consumo de itens usados se popularizou. Mas parece que agora esse setor vem entrando até mesmo na disputa pela clientela do mercado de fast fashion, que vê sua primeira queda desde que explodiu na última década. Quem deu o pontapé inicial no uso de estratégias de marketing para conquistar o consumidor de moda foi a Myrorna, uma rede de lojas que atua na sociedade de três formas simultâneas: incentiva o consumo consciente com a coleta e venda de itens usados, enquanto o lucro gerado com as vendas é destinado a trabalhos de caridade do Exército da Salvação do país. Além disso, as vagas de emprego da loja são destinadas a pessoas em situação vulnerável e com necessidade de recomeçar no mercado de trabalho.

Apesar de vender todo tipo de objetos, desde móveis a livros, passando por objetos de decoração, discos e brinquedos, foi com a moda que a Myrorna conseguiu cativar um público fiel. O site oficial e redes sociais da loja são majoritariamente voltados para a venda de artigos de moda, com campanhas que incentivam o consumo consciente de roupas, ao mesmo tempo em que oferecem dicas de estilo. Um exemplo de sucesso é a campanha “Ative o seu guarda-roupa”, uma série de aulas nas quais o cliente aprende a evitar aquele armário cheio de peças encostadas. “São atividades que criamos para influenciar o comportamento do consumidor e estimular um consumo de moda mais sustentável”, explica Lotta Kökeritz, assessora da Myrorna. “Mas também fazemos campanhas para aumentar as vendas na loja e atrair novos públicos”. Essa predileção por moda faz muito sentido se analisarmos o impacto negativo que o consumo de roupas tem no meio-ambiente, comparado a outros tipos de produtos. Segundo Kökertiz, são necessários 10 mil litros de água e cerca de 6 kg de pesticida para produzir apenas 1 kg de algodão, por exemplo.

myrorna_1Por outro lado, não é só a consciência ambiental que conta no negócio, mas também a preferência do consumidor sueco, apaixonado por moda assim como pela natureza. O departamento de roupas é o grande campeão de vendas na Myrorna, atraindo não só consumidores comuns em busca de economia mas, especialmente, o público fiel de garimpeiros de moda que a loja vem conquistando. “Comprar de segunda mão é uma forma de criar um estilo próprio e, ao mesmo tempo, um desejo de achar peças que ninguém mais tenha, para se destacar como indivíduo”, define Maria Lindenberg, consumidora assídua da loja e fã do estilo vintage. É provável que o sucesso das lojas com esse público se deva ao fato de oferecer a ele uma forma de ser shopaholic sem culpa, já que um excesso de compras significaria também mais ajuda para a caridade: “Vira um tipo de status mostrar que sabe se vestir bem e, ao mesmo tempo, de forma consciente”, afirma Lindenberg. “O paradoxal é que se cria muita moda dentro do próprio universo de segunda-mão. Tem várias peças que nunca deixam de ser estilosas nas mais diferentes épocas”.

De fato, nas ruas não é difícil diferenciar os consumidores de segunda-mão, ostentando peças que estiveram em alta há anos, entre aqueles que simplesmente repetem o que se vê nas vitrines a cada estação. Pois não é que a realidade de consumo na Suécia tenha chegado ao seu ideal. Grande parte dos herdeiros da filosofia Ikea (comprar barato e com muita frequência) seguem religiosamente as tendências, o que transforma o país em um dos mais consumistas do mundo – décimo lugar no ranking no último relatório ambiental feito pela WWF, em 2014. Para se ter uma ideia do quanto a moda influencia no excesso de consumo no país: a cada ano um sueco compra em média 12,5 quilos de roupa, dos quais oito vão para o lixo. Mas a onda de slow fashion e consumo consciente cresce cada vez mais no mundo, e na Suécia não seria diferente. Aqui, o mercado de segunda-mão vem abrindo novas possibilidades ao oferecer ao consumidor uma válvula de escape para os seus impulsos consumistas, combinando o desejo de comprar ao prazer de contribuir para um mundo mais sustentável.

Esse artigo foi produzido em colaboração com a jornalista Isi de Paula, residente na Suécia e fã de brechós.

Leia mais: Suécia e o lagom – por uma vida minimalista

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Consumo consciente, Inovação & Tecnologia, Moda sustentável

Calculadora mostra o impacto da moda no meio ambiente

E se as marcas de moda calculassem o lucro junto com uma análise do impacto ambiental? Agora elas podem e de graça, com ajuda dessa calculadora ambiental

Consumo consciente e moda sustentável tem sido foco da discussão desde o início do Trocaria. Para muita gente, esses conceitos já fazem parte do dia-a-dia, mas ainda há um longo caminho a percorrer quando se trata de conscientização sobre o assunto. Mas é preciso ir além disso: nós como compradores, devemos estar cientes do que consumimos para podermos cobrar mudanças por parte dos grandes varejistas de moda, a fim de que transformem a cadeia produtiva de moda para melhor, melhorando as condições dos trabalhadores têxteis, ao mesmo tempo em que reduzem o impacto no meio ambiente.

No entanto, essa triste realidade está pouco a pouco mudando: das fast fashion aos grandes estilistas, algumas marcas estão se propondo a fazer a diferença. Uma a levantar a bandeira do consumo consciente a começar pelas universidades é o conglomerado Kering, grupo que reúne em seu portfólio marcas como Gucci, Bottega Veneta, Saint Laurent, Alexander McQueen, Balenciaga, Stella McCartney, Puma, entre outras.

A Kering vem demonstrando o seu compromisso há algum tempo e, no meio do ano passado, lançou a metodologia EP&L – Environmental Profit and Loss, que atribui um valor monetário ao impacto ambiental das operações e da cadeia de suprimentos da empresa, com o objetivo de orientar profissionais da indústria da moda.

A grande novidade do grupo francês é o lançamento de uma calculadora ambiental My EP&L em parceria com a Parsons School of Design, de Nova York. O app irá auxiliar estudantes no “projeto piloto “Kering x Parsons: EP&L”, oferecendo dados para que estilistas analisem os prós e os contras ao planejar a coleção. A calculadora é a espinha dorsal desse programa da Parsons, cujo currículo escolar agora passou a contar com módulos designados a incorporar lições práticas em sustentabilidade, como “Tese de Sistemas & Sociedade” e “Tese em Materialidade”, onde estudantes terão a oportunidade de estudar o processo de EP&L, comparar materiais e entender como as escolhas de fornecimento e fabricação podem influenciar a emissão de carbono de um produto.

calculadora-da-moda-epl-1calculadora-da-moda-epl-2Design melhorado através da tecnologia

O aplicativo mostra o impacto de um produto em vários pontos de seu ciclo de vida levando em conta vários fatores, como o tipo de matéria-prima até a fabricação.

Depois de selecionar um dos quatro itens – uma jaqueta, um par de sapatos, uma bolsa ou um anel – os usuários do app podem escolher entre uma variedade de opções, que vão desde material primário (caxemira, lã, algodão orgânico e couro) até a origem de produção.

O app então calcula o efeito cumulativo de mais de 5.000 indicadores, incluindo emissão de carbono, uso da água, poluição da água e do ar, produção de resíduos e mudanças no uso da terra (no caso de matéria-prima vegetal) para calcular o impacto final de cada produto.

Como uma ferramenta comparativa, My EP&L permite que usuários determinem como decisões melhor embasadas podem resultar em designs mais sustentáveis.

calculadora-da-moda-epl-3calculadora-da-moda-epl-4O app mostra, por exemplo, que uma jaqueta composta por lã italiana, revestida com algodão indiano e decorada com botões plásticos da China “custa” €6 mais caro ao meio ambiente do que uma versão similar feita a partir de algodão e bambu turcos e produzida na Europa.

“O My EP&L ilustra o poder de uma análise de perda e lucro ambiental e ajudará estilistas a calcular mais facilmente em tempo real as melhores opções para suas coleções, a fim de incorporar a sustentabilidade em seus produtos desde o início da fase de criação”, explicou Marie-Claire Daveu, chefe de sustentabilidade e diretora de assuntos institucionais internacionais da Kering, em comunicado oficial.

Burak Cakmak, reitor de moda da Parson, concorda “Educação em sustentabilidade é vital para os nossos estudantes, e com a ajuda da Kerin, a Parsons educará a próxima geração de líderes da indústria da moda a promover mudanças”.

Se você ficou interessado no assunto, pode baixar gratuitamente o aplicativo My EP&L no iTunes ou no Google Play.

Com informações da Ecouterre.

Leia mais: 6 maneiras simples para se tornar um consumidor consciente

Cyclechic
Life(in)style, Tá na moda

Cycle Chic: pedalando com estilo

A prática de andar de bicicleta vem conquistando cada vez mais adeptos nas cidades brasileiras (finalmente!), mas ainda estamos longe de atingir 50% da população andando de bike até o final de 2016, como é o caso de Copenhagen, na Dinamarca.

Copenhagen é tão sustentável que foi inclusive escolhida três vezes consecutivas pela revista britânica de tendências globais Monocle a cidade mais habitável do planeta, eleita Capital Verde Europeia 2014 e designada por uma pesquisa da The Economist Intelligence Unit como a capital mais sustentável da Europa. Me perdoe, Amsterdã, mas Copenhagen rocks!

Os dinamarqueses usam bike para tudo: para levar os filhos na escola nos meses mais frios de inverno, para pedalarem a caminho de uma reunião de trabalho ou mesmo para irem à balada nos finais de semana. Embora o uso de bike seja tão comum na cidade, os ciclistas buscam aliar pedal e estilo, usando roupas pedaláveis, que além de ser bonitas, são confortáveis. A ideia é encarar o trânsito de bike e chegar aos compromissos vestido do mesmo jeito que estaria se tivesse ido de carro, ônibus, táxi ou a pé.

Foi assim que, em 2006, surgiu o movimento Copenhagen Cycle Chic. A ideia era mostrar como as pessoas se vestiam para andar de bicicleta na capital sustentável. Desde então, surgiram vários blogs do gênero por todo o mundo, mostrando que é possível aliar moda e pedais.

Separamos algumas fotos que mostram o estilo Cycle Chic de Copenhagen para você se inspirar e saber o que vestir para andar de bicicleta:

Copenhagen Bikehaven by Mellbin - Bike Cycle Bicycle - 2015 - 0094

Copenhagen Bikehaven by Mellbin - Bike Cycle Bicycle - 2012 - 8928

Leia mais

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Consumo consciente, Economia compartilhada

Economia colaborativa: compartilhar ao invés de centralizar

A economia colaborativa vem ganhando cada vez mais espaço no nosso dia-a-dia, mesmo sem notarmos. Precisa de carona? Vá de BlaBlaCar. Quer economizar ao dividir táxi? Uber. Vai viajar e quer alugar uma casa pra galera? O Airbnb possibilita hospedagem na casa de desconhecidos por um preço camarada. Precisando de uma furadeira? O Tem Açúcar te ajuda a emprestar de alguém na vizinhança.

Vivemos atualmente numa transição da cultura de posse para uma cultura de acesso, na qual enxergamos nas experiências vividas a fonte da verdadeira felicidade. Com isso, passamos a repensar a – distorcida – percepção de objetos como símbolo de status social. Afinal, como questiona Rachel Botsman, autora bestseller sobre consumo colaborativo, você precisa de uma furadeira ou de um simples furo?

O que é a economia colaborativa?

Economia colaborativa – também conhecida por economia compartilhada ou consumo colaborativo, é um ecossistema sócio-econômico construído em torno do compartilhamento de recursos humanos, físicos e intelectuais. Também inclui a criação, produção, distribuição, comércio e consumo compartilhado de produtos e serviços por diferentes indivíduos e organizações.

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Ecossistema de economia colaborativa © Tony Magro / HireRight

Na economia compartilhada, os participantes possuem acesso mútuo a produtos e serviços ao invés de priorizarem a propriedade individual. O fenômeno se origina de um crescente desejo dos consumidores de estarem no controle do que consomem, ao invés de serem vítimas passivas do hiperconsumismo.

História da economia colaborativa

O termo “consumo colaborativo” foi primeiramente citado por Marcus Felson e Joe L. Spaeth no paper “Community Structure and Collaborative Consumption: A routine activity approach”, publicado em 1978 na American Behavioral Scientist, mas o fenômeno certamente se originou muito antes disso.

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A economia colaborativa tem como base a comunidade © Huffington Post

No início dos anos 2000, no entanto, foi quando o conceito de economia colaborativa começou a se popularizar à medida que novos modelos de negócios emergiram devido à recessão, possibilitando a ascensão de tecnologias sociais e aumentando a preocupação acerca do crescimento da população global e escassez de recursos.

Em 2011, o consumo colaborativo foi nomeado pela TIME Magazine uma das 10 ideias que vão mudar o mundo.

Sai centralização, entra compartilhamento

O grande diferencial da economia colaborativa é que este modelo tem como base o compartilhamento entre indivíduos, e não a centralização de acesso. É o chamado modelo de consumo peer-to-peer (pessoa-para-pessoa), onde os participantes são os grandes responsáveis por fazer esse sistema funcionar.

Pilares da economia colaborativa

De acordo com Rachel Botsman, autora bestseller sobre o tema, a principal moeda da economia colaborativa é a confiança.

economia colaborativa - confiança

Confiança é o que sustenta a economia colaborativa

Para almas sociáveis, a economia colaborativa tem um charme à parte devido à conexão criada entre as pessoas. Ela diminui a distância entre organizações e indivíduos, e fomenta relações mais humanas entre quem faz parte desse ecossistema.

A economia compartilhada é o exemplo claro do valor da internet para consumidores. Este modelo emergente está crescendo e sendo disruptivo o suficiente para que órgãos reguladores e empresas se unam em prol do bem comum – e compartilhado. Se compartilhar é cuidar, o futuro está no cuidado mútuo uns com os outros ;)

Leia mais: Economia colaborativa na moda: essa onda pega?