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Consumo consciente, Moda sustentável, Tá na moda

Roupas usadas, hábitos novos: 6 razões para comprar em brechó

2017 chegou e, com ele, uma lista interminável de resoluções de ano novo: fazer matrícula na academia, se alimentar melhor, iniciar um curso de especialização, viajar para aquele safari dos sonhos na África e, porque não, botar a ordem na casa – começando pelo guarda-roupas, é claro. No entanto, organizar a bagunça não é tarefa fácil (embora esse guia de como organizar o guarda-roupa dê uma mãozinha), até por isso que postergamos a arrumação.

E mesmo quem não é fashion addict concorda: com tantas promoções acontecendo simultaneamente nessa época do ano, não tem como escapar.

Muitas das compras – principalmente as que ocorrem por impulso – tem como principal motivador não a necessidade de uso daquela peça, mas sim “a nova pessoa” que nos tornamos ao vesti-la. E como disse John Oliver nesse vídeo sobre fast-fashion“moda é a personalidade que você pode comprar”.

Passada a fase de encanto, o que resta são parcelas a perder de vista e um guarda-roupas abarrotado de coisas – muitas das quais, muito provavelmente, nunca mais voltaremos a usar.

Mas como combinar o desejo por roupa nova ao mesmo tempo em que tentamos consumir de forma mais consciente? Quando bater aquela vontade de vestir algo novo, a melhor opção é ir de brechó!

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organizar guarda roupa
Consumo consciente, Moda sustentável

Descomplique seu armário: o que manter, jogar ou doar?

Com a chegada do Ano Novo e nossa lista de resoluções definida, é hora de preparar o terreno – ou melhor, o guarda-roupas, para o que está por vir. Confira nossas dicas de como organizar o armário e dar vida nova às suas peças em 2017.

Sabia que 85% das pessoas mantém roupas que não usam mais? Tendemos a acumular peças de roupa seja por valor sentimental, por achar que vão voltar a servir no futuro ou para aquela ocasião especial que nunca chega. No entanto, é possível descomplicar o armário e dar uma vida nova às roupas acumuladas.

Confira abaixo o infográfico do blog Sernaiotto que ilustra um ciclo inteligente que ajuda a determinar o que deve ser doado, mantido ou jogado fora, tudo em prol do consumo consciente das nossas roupas.

consumo consciente de roupas

BÔNUS: Dando vida nova às roupas encostadas

Organize um bazar de trocas entre amigas

Aquelas roupas que não servem mais para você – mas que suas amigas viviam pedindo emprestadas – podem virar moedas de troca num bazar entre amigas. Além de ser um momento divertido para compartilhar memórias, suas roupas vão ganhar vida nova junto às pessoas que você tanto curte.

Desapegue dos itens que não usa mais num brechó online

As roupas que estiverem em boas condições de uso podem ser vendidas em brechós online, como o próprio Trocaria – e essa é uma das novidades que a gente vai anunciar oficialmente em breve! ;)

Além de evitar que elas acabem no lixo ou permaneçam paradas para sempre no armário, você estenderá o uso das suas peças e ainda poderá recuperar parte do dindin investido naqueles looks que tanto arrasaram no passado, mas não tem mais vez na sua vida.

Leia também: 6 maneiras para se tornar um consumidor consciente

Use essas dicas quando for fazer a próxima limpeza no seu armário, e você vai se surpreender com o tanto de peças que nem lembrava mais que possuía. Essa é uma boa dica para praticar o desapego começando pelo seu guarda-roupas. Vamos tentar? ;)

Slow fashion

Slow fashion: uma alternativa sustentável ao fast-fashion

O slow fashion não é uma típica tendência sazonal de moda, mas sim um movimento que está ganhando espaço e chegou para ficar

Imagine que você está passeando no shopping com uma amiga. É semana de liquidação, com tudo chegando até 70% OFF. Você passa por uma vitrine e se apaixona por um par de sapatos. Não que você precise deles – afinal, tem outros tantos similares no guarda-roupas, mas você não pode perder a chance de comprar essa bagatela com o preço reduzido. Soa familiar?

Agora considere que esses sapatos baratérrimos tiveram o design concebido, produzido e posto à venda em tempo recorde, afinal, se o processo demorasse muito, a tendência teria passado. No entanto, para assegurar o preço matador, foi necessário usar matéria-prima de baixa qualidade e mão-de-obra barata na fabricação. Isso seria excelente do ponto de vista da economia para o consumidor e do lucro dos varejistas, mas como diria aquele ditado popular, “quando a esmola é demais, o santo desconfia”.

Hoje em dia, com uma indústria da moda fortemente pautada na produção global e em massa onde coleções vão da fase de design até as lojas numa questão de semanas, a moda se tornou mais acessível – e descartável – do que nunca. Com varejistas vendendo as últimas tendências de moda a preço de banana, consumidores são facilmente seduzidos a comprar mais do que precisam. Mas este consumo desnecessário vem com um preço oculto, onde o meio ambiente e trabalhadores da cadeia produtiva são quem acaba pagando.

O que é o movimento slow fashion?

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Imagem: Mochni

Em contrapartida ao “fast fashion” – o fenômeno global de produção em massa e consumo desenfreado – originou-se na Europa o movimento “slow fashion”. Ele surge como uma alternativa que promove um modo de pensar, agir e consumir consciente e sustentável.

O termo ‘slow fashion’ foi criado em 2008 pela inglesa Kate Fletcher, consultora de design sustentável e professora do Centre for Sustainable Fashion, inspirado no movimento Slow Food. Assim como em relação à nossa alimentação, o movimento slow fashion incentiva que os consumidores estejam cientes de cada etapa da cadeia produtiva – desde o design até a produção, uso e ao potencial de reaproveitamento de cada peça.

Diferente de outros movimentos de moda, como moda verde ou fair trade, que ainda são muito pautados apenas na produção, o slow fashion abrange o ciclo completo. Ele busca produzir moda de forma mais consciente e que não impacte o meio ambiente, levando também em consideração aspectos sociais e econômicos, além de seguir uma linha mais justa, humana e responsável de produção, consumo e reaproveitamento de itens da moda.

O movimento slow fashion foca na conexão com as nossas roupas ao invés de enxergá-las como tendências passageiras e descartáveis. Além disso, valoriza o prazer de comprar itens bem-feitos e de qualidade, com design atemporal, estimulando o reparo e o cuidado com nosso guarda-roupas.

Leia mais: 6 maneiras para se tornar um consumidor consciente

Como praticar o slow fashion?

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Imagem: Who What Wear

O slow fashion não é algo de outro mundo: ele se resume na mudança de mindset para refletir sobre a nossa responsabilidade a respeito do que e como estamos consumindo. Para colocar o slow fashion em prática, vale considerar os seguintes pontos:

  • Pergunte: você realmente precisa de algo novo?
  • Apoie marcas locais e designers independentes
  • Conserte e reaproveite, não substitua
  • Use até o fim
  • Aposte em brechós
  • Dê uma chance a roupas e acessórios handmade
  • Prefira produtos orgânicos
  • Invista no consumo colaborativo da moda
  • Bônus: renove o armário com a ajuda do Trocaria

Prontos para abraçar essa ideia e começar o ano com novas atitudes? :)

Leia mais: Calculadora mostra o impacto da moda no meio ambiente

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Atitude

Como fazer um amigo-secreto consciente e sustentável

O final do ano chegou e, como não poderia faltar, os famosos amigo-secreto ou amigo-oculto ganham presença, mais uma vez, em todos os círculos sociais: seja nas famílias, no ambiente de trabalho ou entre amigos, a brincadeira de troca de presentes é um ritual aguardado nesta época.

Com tantas comemorações pela frente, por que não sair da rotina e inovar na brincadeira este ano, fazendo um amigo-secreto consciente, sustentável e com significado?

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Amigo-secreto sustentável (com trocas!)

O amigo secreto-sustentável é, sem dúvidas, o mais divertido e com maior significado de todos. Ele segue o mesmo princípio das clothing swap parties, como os bazares de troca organizados pelo Trocaria, mas é feito com presentes de Natal.

Funciona assim: você escolhe algo que não usa mais e acha que é a cara da pessoa sorteada. Ao invés de comprar um presente novo, reutiliza algo que já tem e está parado no guarda-roupas. Sabe aquele vestido que sua amiga sempre pedia emprestado? Então por que não presenteá-la com ele? O presente vai carregar consigo não só uma vida útil maior, mas vai fazer o novo dono sempre lembrar de quem presenteou.

Curtiu a ideia? Compartilhe sua experiência com a gente e boas festas! ;)

Leia mais: Como organizar um bazar de trocas entre amigas

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Consumo consciente, Moda sustentável

A nova moda na Suécia é a sustentabilidade

Redes de lojas de segunda-mão do país transformam consumo consciente em tendência

Por Isi de Paula

Ao pensar em moda sueca, muitos vão pensar em gigantes da fast fashion como H&M e KappAhl. O que talvez poucos saibam é que ganha cada vez mais força no país uma tendência que pode ser a chave para mudar a realidade atual da indústria da moda: o comércio de segunda-mão. Desde grandes redes de lojas até os pequenos brechós e mercados de pulgas entram cada vez mais na rota de compras dos suecos, fazendo a diferença não só no bolso, mas também no estilo do consumidor. E o mais importante: com esse hábito, uma grande quantidade de roupas ganha nova vida em vez de ser descartada no meio-ambiente.

MyrornaNão é que o comércio de segunda-mão seja novidade no país. Já nos anos 70, quando o mundo começou a despertar para a consciência ambiental, os suecos encontraram uma nova forma de expressar seu estilo clássico nas peças herdadas de outras gerações, e desde então o consumo de itens usados se popularizou. Mas parece que agora esse setor vem entrando até mesmo na disputa pela clientela do mercado de fast fashion, que vê sua primeira queda desde que explodiu na última década. Quem deu o pontapé inicial no uso de estratégias de marketing para conquistar o consumidor de moda foi a Myrorna, uma rede de lojas que atua na sociedade de três formas simultâneas: incentiva o consumo consciente com a coleta e venda de itens usados, enquanto o lucro gerado com as vendas é destinado a trabalhos de caridade do Exército da Salvação do país. Além disso, as vagas de emprego da loja são destinadas a pessoas em situação vulnerável e com necessidade de recomeçar no mercado de trabalho.

Apesar de vender todo tipo de objetos, desde móveis a livros, passando por objetos de decoração, discos e brinquedos, foi com a moda que a Myrorna conseguiu cativar um público fiel. O site oficial e redes sociais da loja são majoritariamente voltados para a venda de artigos de moda, com campanhas que incentivam o consumo consciente de roupas, ao mesmo tempo em que oferecem dicas de estilo. Um exemplo de sucesso é a campanha “Ative o seu guarda-roupa”, uma série de aulas nas quais o cliente aprende a evitar aquele armário cheio de peças encostadas. “São atividades que criamos para influenciar o comportamento do consumidor e estimular um consumo de moda mais sustentável”, explica Lotta Kökeritz, assessora da Myrorna. “Mas também fazemos campanhas para aumentar as vendas na loja e atrair novos públicos”. Essa predileção por moda faz muito sentido se analisarmos o impacto negativo que o consumo de roupas tem no meio-ambiente, comparado a outros tipos de produtos. Segundo Kökertiz, são necessários 10 mil litros de água e cerca de 6 kg de pesticida para produzir apenas 1 kg de algodão, por exemplo.

myrorna_1Por outro lado, não é só a consciência ambiental que conta no negócio, mas também a preferência do consumidor sueco, apaixonado por moda assim como pela natureza. O departamento de roupas é o grande campeão de vendas na Myrorna, atraindo não só consumidores comuns em busca de economia mas, especialmente, o público fiel de garimpeiros de moda que a loja vem conquistando. “Comprar de segunda mão é uma forma de criar um estilo próprio e, ao mesmo tempo, um desejo de achar peças que ninguém mais tenha, para se destacar como indivíduo”, define Maria Lindenberg, consumidora assídua da loja e fã do estilo vintage. É provável que o sucesso das lojas com esse público se deva ao fato de oferecer a ele uma forma de ser shopaholic sem culpa, já que um excesso de compras significaria também mais ajuda para a caridade: “Vira um tipo de status mostrar que sabe se vestir bem e, ao mesmo tempo, de forma consciente”, afirma Lindenberg. “O paradoxal é que se cria muita moda dentro do próprio universo de segunda-mão. Tem várias peças que nunca deixam de ser estilosas nas mais diferentes épocas”.

De fato, nas ruas não é difícil diferenciar os consumidores de segunda-mão, ostentando peças que estiveram em alta há anos, entre aqueles que simplesmente repetem o que se vê nas vitrines a cada estação. Pois não é que a realidade de consumo na Suécia tenha chegado ao seu ideal. Grande parte dos herdeiros da filosofia Ikea (comprar barato e com muita frequência) seguem religiosamente as tendências, o que transforma o país em um dos mais consumistas do mundo – décimo lugar no ranking no último relatório ambiental feito pela WWF, em 2014. Para se ter uma ideia do quanto a moda influencia no excesso de consumo no país: a cada ano um sueco compra em média 12,5 quilos de roupa, dos quais oito vão para o lixo. Mas a onda de slow fashion e consumo consciente cresce cada vez mais no mundo, e na Suécia não seria diferente. Aqui, o mercado de segunda-mão vem abrindo novas possibilidades ao oferecer ao consumidor uma válvula de escape para os seus impulsos consumistas, combinando o desejo de comprar ao prazer de contribuir para um mundo mais sustentável.

Esse artigo foi produzido em colaboração com a jornalista Isi de Paula, residente na Suécia e fã de brechós.

Leia mais: Suécia e o lagom – por uma vida minimalista